Papas de Aveia

Porquê que quero aprender a fazer?

1. Quero tirar as teimas. Perguntei mais do que uma vez à Catarina como é que ela fazia o raio das suas papas de aveia porque a mim sai-me sempre uma mistela desenxabida e intragável. Cada vez que ela posta um pequeno-almoço de papas [dizer isto assim dá-me vontade de rir], desconfio. Desconfio do sabor e da sua capacidade de satisfação, no sentido de ser bom e saboroso, de me proporcionar prazer. Aliás, desconfio que o problema nem é o sabor, é a textura, mas isso é o que eu vou ver amanhã, quando me sentar na fila da frente do workshop que ela vai dar cá em Braga. Porque está decidido: quero aprender a fazer as tão famosas papas de aveia.

2. Quero corrigir um péssimo hábito.Confesso que tenho um péssimo hábito. E que se há culpas a deitar a alguém é à minha mãe, que sem querer mo incutiu [mas também sei que já sou crescidinha que chegue para ser capaz de o alterar]. E esse hábito mau que eu tenho consiste em menosprezar vergonhosamente a refeição que dizem ser a mais importante do dia: o pequeno-almoço. Grávida e não grávida, sou terrível no que diz respeito a preparar o pequeno-almoço e a sentar-me a tomá-lo. Não o faço, não tenho paciência e estou sempre com pressa. Acabo por tomar apenas um copo de leite enquanto me visto e deixo a segunda parte para o balcão do café onde como, invariavelmente, um bico de pato com fiambre fininho. É mau, eu sei. Nada de fruta, cereais e todas aquelas coisas saudáveis. Pequeno-almoço como deve ser e com fome à altura, só ao fim-de-semana [quando não era mãe solteira], em férias ou nos hotéis.

3. Quero pôr em prática o plano eternamente adiado de me alimentar melhor. Antes, era no início de cada ano. Depois, era na licença de maternidade. Passou para o regresso ao trabalho. Saltou para quando me libertei do emprego e comecei a trabalhar por conta própria [achava eu que ia ter mais tempo… buf]. Agora, quando for para a Suíça [aí é que ia ser!]. Ponto final, chega de desculpas. É a partir de amanhã. Vou deixar-me de tretas e levar isto a sério. Não é a perda de peso que me move, é a minha saúde. E depois a responsabilidade de alimentar bem as minhas filhas e já agora o Bernardo [que está sempre pronto para qualquer tipo de experiência gastronómica, desde que não seja ele a cozinhar]. Porque nós somos o que comemos.

4. E, no limite, quero ser mais feliz.Porque sei que quando vir os resultados no meu próprio corpo vou ficar satisfeita [ai, tantos planos].